Esta é a estória de um velho sábio chamado Passado e de seus aprendizados. Certo dia Passado encontrou seu velho amigo, Presente, sentado sobre as areias do mar das lembranças e aproximando-se disse:
- Como vai velho amigo? Tem visto aquele ingrato do Futuro?
Presente, cabisbaixo, respondeu:
- Vou bem, obrigado. Não Passado, parece que o Futuro não aceita conversar comigo, assim me disse a Honestidade, ela afirmou que ele se considera muito auto-suficiente para conversar comigo que não conheço nada sobre ele e também te acha velho demais. Segundo ela, ele te considera muito arcaico para entendê-lo.
Olhando fixamente nos olhos de Presente, Passado, após enxugar algumas lágrimas, retrucou:
- Presente, lembro-me da história de um velho trabalhador que ao termino de uma jornada, foram vinte longos anos de trabalho, trocou o dinheiro de sua indenização por três conselhos de seu velho e “cansado” patrão. Os conselhos foram: Nunca tome atalhos em sua vida, nunca seja curioso para aquilo que é mal e nunca tome decisões em momentos de ódio ou de dor. No final, o velho trabalhador seguiu os conselhos de seu patrão e além de conseguir viver em abundância, recebeu sua indenização para viver um pouco melhor durante os dias que lhe restavam ao lado de sua amada e de seu filho. Moral da história Presente: Ouvir os mais experientes, muitas vezes, nos leva ao êxito e condená-los não é a melhor decisão que um jovem deve tomar. Futuro ainda é uma criança, um dia ele seguirá seus passos, assim como, os meus.
Passado e Presente ficaram observando atentamente as ondas que iam e viam no mar das lembranças, ambos pareciam incomodados com alguma coisa. Era a rejeição que os inquietava e os levava a pensamentos tristes. Enquanto os dois olhavam fixamente para o mar e se perdiam em seus devaneios eis que se aproximou um ancião de dias e disse:
- Muito prazer Passado e Presente, eu me chamo Senhor do Tempo e assisto a história de vocês, assim como, a de Futuro desde o princípio de todas as coisas, afinal, eu os criei.
Presente, meio tremulo, falou:
- Quer dizer que você...
- Sim, isso mesmo Presente, eu sou o filho da mãe Criação e sei de todos os seus passos, disse o Senhor do Tempo. Quanto a você Passado, não se preocupe, Futuro apesar de ser uma criança é muito esperto e compreendeu bem os meus ensinamentos, nossa conversa parece ter sido muito proveitosa.
Passando, chorando desconsoladamente falou com a voz embargada:
- Então você, quer dizer, o senhor falou com ele mestre.
- Sim Passado, eu falei. E, assim como vocês não querem ver Futuro abandoná-los espero que não me esqueçam...
Enquanto Passado e Presente se abraçavam afetuosamente o ancião de dias desaparecera sem ser percebido. Quando os dois amigos olharam a sua volta não viram mais o Senhor do Tempo. Então Passado disse:
- Estou sentindo uma sensação diferente, porém, agradável. É como se estivesse acabando de acordar de um sonho maravilhoso.
- Engraçado, estou sentindo a mesma coisa, disse sorrindo Presente.
Enquanto os dois se olhavam meio embasbacados com a situação Futuro vinham correndo ao longe, através da faixa de areia que é banhada pelo mar, e gritando aos prantos:
- Pai, vô por favor, me perdoem, o Senhor do Tempo conversou comigo e consegui compreender que não posso chegar a lugar algum se não olhar para os ricos ensinamentos que vocês tem para me dar.
- Então não foi um sonho, pensou Passado.
Enquanto se abraçavam fazendo as pazes, uma estrela, em plena luz do dia, brilhando mais intensamente do que o próprio sol ia desaparecendo sobre aquele horizonte coberto de água.
As lembranças e análises do passado são a herança para um futuro promissor. Muitas vezes sofremos em demasiado pelo simples fato de jogarmos no mar do esquecimento nossas experiências, assim como, a de nossos antepassados. O terreno do amanhã parece ser incerto demais para planos, entretanto, “viver o porvir” parece à melhor maneira de deixarmos de encarar a realidade.
Viva intensamente! Não se esqueça de ouvir quem já trilhou caminhos semelhantes aos seus. Respeite e observe as opiniões, contudo, tire suas próprias conclusões e siga o seu coração.
Paulo Pessoa