No final do mês de novembro do ano 2000 eu e minha família nos mudamos para São José da Mata, distrito de Campina Grande – PB. Ao longo desses 10 anos não observei mudanças drásticas na estrutura social-político-econômica da localidade. São José da Mata é um reflexo do que o estado da Paraíba é atualmente. Um “município” atrasado em níveis educacionais, carente de recursos tecnológicos que possam democratizá-lo em níveis de comunicação globalizada e composto por uma população explorada e passiva diante das querelas sociais.
Estamos “ilhados”, a Paraíba rema contra a maré do atual desenvolvimento econômico brasileiro. O governador, Ricardo Coutinho (PSOL) empossado no último dia primeiro, luta para organizar as finanças do estado e arcar com as insanidades deixadas por seu antecessor, o ex-governador José Targino Maranhão (PMDB), sendo a aprovação da PEC-300 a maior delas.
A questão da educação é tema recorrente em campanhas políticas, entretanto, situação e oposição não conseguem suprir as necessidades da população e acompanhar a formação de profissionais capacitados frente aos demais estados do país. Educadores, em sua grande maioria, despreparados, desmotivados, mal remunerados e intolerantes compõem o quadro de professores das escolas públicas paraibanas. É a falta de estímulos financeiros federais ou a desonestidade dos políticos que explica a atual situação da Paraíba?
São José da Mata é apenas um reflexo, uma pequena parte do grande “espelho” que há muito tempo está quebrado. A Escola Estadual José Miguel Leão, localizada no distrito, é motivo de uma “guerra” administrativa que impulsiona a política na região. Enquanto pessoas lutam pelo desenvolvimento da localidade e conseqüentemente do estado, pessoas lutam para manter seu status social elevado.
A necessidade de uma antena que possibilite a comunicação via celulares na região (São José da Mata) é gritante, assim como, o aumento de investimentos em tecnologia no Estado. A instalação de uma antena possibilitaria um maior número de pessoas com acesso a comunicação via telefones celulares e geraria concorrência na “banda larga”, através da internet móvel, logo, queda nos preços do serviço e democratização comunicacional, além de bem estar social.
A educação “tetraplégica” é o reflexo de cidadãos passivos politicamente. Os meios de comunicação de massa debilitados não suprem as necessidades da população, não cumprindo assim seu papel como co-autores educacionais. Esses problemas são refletidos na economia, na segurança pública e principalmente nas fragilidades da política paraibana.
Sendo assim, o que esperar para o futuro? Mesmice ou mudança? Esses primeiros quinze dias de Ricardo Coutinho no poder foram empolgantes, contudo, a escolha do corpo administrativo certamente será o diferencial para glória ou fracasso do atual governo no final de 2014 e essas são respostas que só o tempo dará.