segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

É necessário trabalho em conjunto, educação e desenvolvimento social

            Durante os últimos quatro dias, 7 a 10 de fevereiro, uma “onda” de furtos e assaltos se fez presente na localidade onde moro, São José da Mata, distrito de Campina Grande-PB. A população se sente desprotegida e a super-proteção de seus lares é a medida adotada pelos cidadãos na busca de proteger seus bens e/ou suas próprias vidas. A ineficiência do sistema de segurança pública na localidade, assim como, no Estado e no País é preocupante. As medidas adotadas pela polícia não estão surtindo efeito e a falta de informações concedidas pela população dificulta o estabelecimento da ordem.
O povo está desprotegido por parte das forças competentes. Durante a noite, período em que geralmente acontecem os incidentes, dois policiais em uma viatura da polícia militar, normalmente, fazem a ronda na região. Na noite de ontem, quinta-feira dia 10, a base da polícia militar na localidade estava vazia, enquanto isso, três pessoas, tentavam invadir uma residência na região central e outras duas tentavam assaltar moradores da Rua Nigéria. Eram 21h15 quando uma viatura da polícia militar chegava de Campina Grande. Eu fui testemunha ocular da chegada dos policiais. Três soldados procuravam a residência onde o incidente acontecera. Era tarde demais, os meliantes já haviam deixado o local. Por sorte, ninguém se feriu e nada foi roubado.
As rondas, efetuadas pelos PM, não estão minimizando a ação dos criminosos, os ladrões não estão sendo contidos e os furtos continuam acontecendo. A população se sente ameaçada e a auto-proteção é a maneira mais eficaz, encontrada pelos cidadãos, de atenuar os furtos e principalmente o contato com os criminosos.  “Ele estava empurrando o portão de minha casa, tentando arrombar, mas preferi não sair. Eu não tinha como fazer ele ir embora.”, afirmou um morador da localidade. O cidadão preferiu não se identificar. O suposto ladrão tentou arrombar sua casa na noite de ontem, dia de maior movimentação dos criminosos no distrito nos últimos dias.
A situação não é diferente no Estado da Paraíba e no País. Diariamente pessoas são assaltadas, roubadas, espancadas e até mesmo mortas por criminosos.  Em entrevista concedida a revista Carta Capital publicada no dia 26 de janeiro do ano corrente, Eliana Silva, doutora em Serviço Social, fala sobre as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) e a importância das comunidades na resolução dos problemas referentes à segurança pública no Estado do rio de Janeiro. A participação dos cidadãos é fundamental para que os problemas referentes a roubos e furtos sejam diminuídos em todo o país. As informações fornecidas à polícia através de queixas registradas em delegacias e postos de polícia de todo o território nacional facilitam o trabalho dos policiais. Sendo assim, identifica-se a área de atuação dos bandidos e sua freqüência, logo, a(s) estratégia(s) dos PMs pode ser elaborada segundo essas informações e não de maneira avulsa.
  O número de policiais nas ruas é reduzido. É necessário que exista um aumento no número de trabalhadores, além de um incentivo fiscal por parte das autoridades competentes, além de um maior interesse dos policiais em exercer com dignidade a profissão que escolheram para suas vidas. Isso, aliado as informações fornecidas pelos cidadãos é a melhor maneira de solucionar esses problemas em curto prazo. Em longo prazo a questão da educação e dos trabalhos sociais nas comunidades é fundamental para a formação de uma sociedade mais democrática e igualitária. 

O texto a seguir é fruto dos meus sonhos e objetivos.

The end

“Hoje é segunda-feira, dia 12 de julho de 2066. Este é o dia do meu aniversário, estou completando 75 anos de idade e me aposentando do jornalismo empresarial. São cinco da tarde, minha esposa está preparando o jantar enquanto escrevo um pouco sobre essa trajetória pessoal e profissional. A minha mente não funciona como em outrora. Não tenho tanta velocidade na digitação como antes, contudo, este é o momento em que mais me identifico com o que escrevo. Sinto que este é o melhor momento da minha vida, estou em paz comigo mesmo.
            Há 55 anos conheci a pessoa que hoje chamo de ‘meu bem’. Quando a vi pela primeira vez, não tive dúvidas, eu sabia que ela era a pessoa que iria me acompanhar pelo resto da minha vida. Aquele olhar sincero e afetuoso nunca me enganou. Aquela que agora prepara o jantar, exatamente como adoro ali na cozinha, é sem dúvida a pessoa mais completa que conheci ao longo da minha vida. Ela foi, é e sempre será meu porto seguro.
            Profissional dedicada, mãe generosa e avó super-protetora. A Sra. Pessoa soube me encantar a cada amanhecer e me fazer sonhar a cada anoitecer com um mundo melhor, com um mundo composto de pessoas como ela. Nos momentos difíceis me aconselhou, nos momentos felizes sorriu comigo, contudo, sempre esteve ao meu lado. Sou quem eu sou, em grande medida, graças a essa mulher.
            No segundo semestre de 2011 comecei minha carreira profissional no jornalismo. Fui contratado por um jornal impresso que produzia o noticiário diário sobre o Estado da Paraíba. Falavamos sobre política, economia e cultura. Foi um começo difícil. Como em toda caminhada me deparei com pedras de tropeço, mas, o desejo de transformar o mundo através do ‘jornalismo utópico’(aquele que aprendemos na academia) me fez continuar e superar todas as dificuldades que essa jornada me impôs.
            Quando comecei a trabalhar estava iniciando a segunda metade do meu curso. Na faculdade de jornalismo encontrei amigos, pessoas que, mesmo sem saber, me motivaram a superar as adversidades que aquela escola nos proporcionava, principalmente em termos técnicos e estruturais. Conheci profissionais talentosos, conheci professores que faziam o que podiam para nossa melhor aprendizagem e, sobretudo, conheci a mim mesmo.
            Os sonhos da minha mãe estavam se realizando. Seu maior desejo era me ver feliz. Fui agraciado por Deus durante toda a minha vida e ela foi mais um presente divino. Dona Letícia moldou meu caráter e me ensinou o sentido da honestidade. Foi minha melhor professora, foi mãe e foi pai ao mesmo tempo. Seu Paulo Pereira, com certeza, se orgulhou da mulher que viveu ao seu lado durante seus últimos dias na terra dos homens.
            Durante a minha vida tive que fazer escolhas, entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, entre o melhor e o pior, etc. Posso não ter feito as melhores escolhas aos olhos do mundo, entretanto, procurei seguir os meus princípios e ouvir a voz do meu coração. Não me arrependo das minhas opções. Hoje compreendo que faço parte de um grupo seleto de pessoas que costumam ser chamadas de independentes de espírito.
            Trabalhei, trabalhei muito e me tornei quem eu queria ser pessoal e profissionalmente. Viajei pelo mundo, conheci novas culturas e me encantei com a sinceridade nos olhos de quem sonha com uma vida melhor. O tempo passa, mas, as dificuldades são sempre semelhantes. Pessoas passam fome, são caluniadas por suas opções religiosas e gananciosas por natureza. A quarta revolução industrial só perpetuou o sistema capitalista de produção e o Brasil, apesar de ser uma das cinco maiores economias do mundo, parece ter evoluído pouco em termos de humanidade.
            Entrevistei pessoas importantes, escrevi livros, fiz tudo o que sonhei fazer e, agora que estou parando, estou sentindo uma nostalgia incontida dos velhos tempos. Foram bons tempos. Serão agora motivo de recordação e saudade, jamais de arrependimento. Eu fui quem planejei ser como ser humano e como profissional. Este é o meu tão sonhado fim, é minha concepção de sucesso.
            Bem, essa foi, em linhas gerais, a minha história. Agora quero aproveitar a minha aposentadoria e continuar a cultivar meus laços com os que escolhi como amigos e familiares, por falar nisso, até mais pessoal. O jantar está na mesa.    

Paulo Pessoa
09/02/2011