quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Perspectivas econômicas para 2011


Nesse período “pós-crise”, onde os reflexos de 2008 nos EUA e no mundo foram minimizados no Brasil, torna-se delicado falar sobre perspectivas econômicas.  O que esperar para 2011? Será possível manter o padrão de crescimento ou o Brasil ficará a margem no plano internacional?
            A crise financeira que em 2010 afetou Grécia e Irlanda e assolou alguns outros países da UE (União Européia) é um reflexo do que será o mundo europeu desenvolvido nos primeiros anos da próxima década. A reestruturação das potencias européias será dada de maneira lenta, pois, o bloco está enfraquecido e o mundo passará por um período de rearranjo econômica.
            “Nada pode impedir uma idéia cujo tempo chegou”, percebeu Victor Hugo certa vez. O tempo dos países emergentes chegou. Estima-se que, em 2011 o crescimento econômico de países como China e Índia será quatro vezes maior do que o de países desenvolvidos, como Alemanha e França, por exemplo.
            “Um dos marcos da mudança em 2011 será a China superando os Estados Unidos como líder na manufatura. Mas a China também pode ser superada pela Índia no crescimento econômico, no que pode ser um sinal dos tempos que virão.”, destacou Daniel Franklin, editor da revista Carta Capital O mundo em 2011, na edição especial de 25 anos da revista.
            A futura presidente do Brasil, Dilma Rousseff, demonstrou atenção especial à manutenção do desenvolvimento econômico do país. A continuação de Guido Mantega no Ministério da Fazendo, assim como, a indicação de Alexandre Tombini a presidência do Banco Central são fatores que demonstram a importância dada por Dilma à continuação dos projetos Lula, no que diz respeito à economia nacional e a formação de um estado desenvolvido.
            2011 será um ano economicamente delicado. A reestruturação dos países “ricos” e o crescimento acelerado dos países emergentes marcarão o início da segunda década do século XXI.  Estima-se que antes do final do ano a população mundial chegue a marca de 7 bilhões de habitantes. É possível que um pânico malthusiano alastre-se pelo mundo, contudo, os recursos mundiais serão capazes de suprir a demanda gerada.
            As questões climáticas marcarão o novo ano, afinal, falta um dia para que chegue ao fim a década mais quente da história da humanidade. A utilização da tecnologia e da imaginação humana serão fundamentais no enfrentamento dos novos problemas sociais que virão com a nova década.
            O mundo viverá um período de reestruturação em termos gerais. O sinal de alerta está ligado. Cabe a nós como cidadãos pensar nas gerações futuras, afinal, o tempo dessa idéia chegou.
Paulo Pessoa

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O poder de decisão de Cássio Cunha Lima


Deputado Federal por duas vezes, Prefeito de Campina Grande por três e Governador do estado da Paraíba por dois mandatos. A influência de Cássio Rodrigues da Cunha Lima em Campina Grande, sua cidade natal, assim como, no Estado da Paraíba, como um todo, é incontestável.
Amado por uns, odiado por outros, o filho do ex-senador Ronaldo Cunha Lima construiu uma carreira política vitoriosa. Dono de um carisma singular e de uma retórica apurada o ex-governador transformou-se em uma espécie de herói para centenas de paraibanos.
Apesar da cassação de seu mandato como governador no dia 17 de fevereiro de 2009, Cássio seguiu lutando por seus interesses políticos e lançou-se candidato ao Senado nas eleições do ano corrente, conquistando mais de 1 milhão de votos, sendo assim, o candidato ao senado mais votado, porém, impugnado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mediante a lei do ficha limpa.
Quem poderia imaginar que aquele rapaz formado em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba seria um dos maiores nomes da política do estado? Pois é, “o menino”, como é chamado por muitos, continua fazendo história. Ontem, 31 de outubro, o ex-prefeito da cidade de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB), foi eleito governador do estado da Paraíba e lá estava ele, coordenador geral da campanha.
O apoio de Cássio a Ricardo foi, sem sombra de dúvidas, decisivo. Seu futuro na política ainda parece ser contestável, entretanto, sua influência não. Se a Paraíba perde ou ganha com isso, só o tempo irá dizer, contudo, boa sorte "Ricássio", ou melhor, Ricardo Coutinho, governador eleito do estado da Paraíba.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

É impossível derrotar um sentimento verdadeiro


           Esta é a estória de Maldade, um homem cruel e ambicioso que se isolou do mundo, construindo a sua volta uma enorme cerca de pedras que impedia a aproximação dos bons sentimentos.
            O ambiente que Maldade cercou era habitado por uma vasta quantidade de animais das mais variadas espécies, dentre estes, apenas os pássaros podiam contemplar o mundo que existia além da enorme cerca.
Existia um passarinho bem pequeno chamado Paz que morava com sua família nas terras dominadas por Maldade. Todos os dias Paz e seus pais, Amor e Esperança, voavam por sobre a terra e contemplavam o quão bom e agradável era a liberdade e o quanto os outros animais eram felizes. Certo dia, Paz disse:
- Papai, Mamãe por que todos os animais não voam?
            Era interessante a pergunta do pequeno pássaro, sua mãe então respondeu:
- Filho, quando a grande mãe Criação fez todas as coisas ela achou melhor criá-las diferentes umas das outras. Já pensou se todos fossem iguais como seria chato?! Mas, por que a pergunta meu lindo?
- É que... Eu queria que todos os animais que vivem dentro da grande cerca de pedras, pudessem voar, para que vissem tudo o que nos pássaros e animais livres, podemos ver.
- Mas que atitude nobre meu querido, tenho certeza que, um dia, tudo será como antes e todos os animais que vivem presos pela grande cerca irão caminhar livremente por sobre a terra, disse Esperança.
            Certo dia Maldade ganhou uma gaiola, ele ficou imaginando como iria capturar um pássaro que cantasse para ele. Paz e seus pais haviam se separado na hora do retorno de uma de suas viagens e o pequeno passarinho acabou chegando primeiro. Enquanto descansava em sua árvore favorita, uma goiabeira que ficava nos fundos da casa do rancoroso Maldade, Paz foi surpreendido, de repente tudo ficou escuro. Maldade havia jogado sua camisa sobre Paz tentando o impedir de voar, só assim ele conseguiria capturar um passarinho para sua gaiola, acabou conseguindo.     
            Quando voltou a ver a luz o pequeno passarinho se viu preso na gaiola que estava sobre a mesa da cozinha da casa de Maldade, enquanto o malvado gritava:
-Uhu! Yes! Consegui, agora tenho um prisioneiro!
            No mundo encantado onde habitavam, animais e humanos podiam se comunicar através de palavras. Então, o pequenino, porém, corajoso Paz, disse:
- Eu irei conseguir sair daqui seu malvado e sem o uso da violência vou libertar todos os animais desse seu cercado de horrores.
- Cale a boca passarinho idiota, eu te capturei para que você cantasse para mim, além do mais, como você vai sair daí? Seus amiguinhos vão vir te salvar? Acho que não. Pois bem, cante e cante muito, porque se não cantar irei te deixar sem comida e você irá morrer de fome seu imprestável, disse Maldade.
            Paz pensou durante umas duas horas, momentaneamente ele disse em voz baixa para si mesmo:
- É isso! Papai canta tão alto que consegue quebrar vidro, se conseguir cantar forte e agudo conseguirei quebrar esses velhos palitos de madeira que me prendem nesse lugar.
            Paz começou a cantar e depois de quase perder o fôlego cantando conseguiu romper dois palitos na parte de cima da gaiola. O impiedoso Maldade estava muito feliz com a melodia linda e alta que Paz conseguia entoar quando fora surpreendido pela voz rouca do passarinho:
- Eu não te falei que eu iria conseguir.
Então, Maldade bradou como um leão feroz:
- Passarinho idiota! Vou te pegar!
            Enquanto Maldade gritava e ao mesmo tempo quebrava a gaiola Paz voava feliz com sua liberdade. Ao chegar em casa o pequenino explicou a seus pais o que havia acontecido e como planejava libertar todos os animais que estavam presos.
- Que ótima idéia, irei imediatamente convocar os pássaros do coral para darmos inicio ao plano, enquanto isso avisem aos demais animais, disse Amor.
            O plano de Paz era libertar todos os animais da mesma maneira como ele conseguiu se libertar da gaiola, mas, para isso era preciso a cooperação de todos os pássaros.
            Enquanto os pássaros cantavam os animais terrestres faziam barulho procurando ajudar, mas mesmo assim, o barulho não era suficiente para derrubar a grande cerca de pedras construída por Maldade. Quase sem forças todos os animais foram surpreendidos com a ajuda que vinha do lado de fora do grande muro. Todos os animais da terra estavam fazendo barulho como podiam buscando derrubar a grande muralha. De repente:
-Bum!
            A grande muralha foi ao chão e todos os animais se viram livres correndo e cantando felizes pela liberdade que acabaram de conquistar deixando Maldade sozinho olhando para a muralha ao chão.
            A vida é fascinante para ser mantida enclausurada. Os sentimentos bons jamais poderão ser vencidos pelo mal que há no mundo, por isso, nunca desista de seus sonhos, afinal, você nunca irá além deles. Acredite nas pessoas e no amor! Seja quem você quiser, você é capaz de mudar o mundo. “As grades de uma prisão” não são capazes de destruir um sonho.  

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Não se esqueça de olhar pelo retrovisor


Esta é a estória de um velho sábio chamado Passado e de seus aprendizados. Certo dia Passado encontrou seu velho amigo, Presente, sentado sobre as areias do mar das lembranças e aproximando-se disse:
            - Como vai velho amigo? Tem visto aquele ingrato do Futuro?
Presente, cabisbaixo, respondeu:
            - Vou bem, obrigado. Não Passado, parece que o Futuro não aceita conversar comigo, assim me disse a Honestidade, ela afirmou que ele se considera muito auto-suficiente para conversar comigo que não conheço nada sobre ele e também te acha velho demais. Segundo ela, ele te considera muito arcaico para entendê-lo.
            Olhando fixamente nos olhos de Presente, Passado, após enxugar algumas lágrimas, retrucou:
            - Presente, lembro-me da história de um velho trabalhador que ao termino de uma jornada, foram vinte longos anos de trabalho, trocou o dinheiro de sua indenização por três conselhos de seu velho e “cansado” patrão. Os conselhos foram: Nunca tome atalhos em sua vida, nunca seja curioso para aquilo que é mal e nunca tome decisões em momentos de ódio ou de dor. No final, o velho trabalhador seguiu os conselhos de seu patrão e além de conseguir viver em abundância, recebeu sua indenização para viver um pouco melhor durante os dias que lhe restavam ao lado de sua amada e de seu filho. Moral da história Presente: Ouvir os mais experientes, muitas vezes, nos leva ao êxito e condená-los não é a melhor decisão que um jovem deve tomar. Futuro ainda é uma criança, um dia ele seguirá seus passos, assim como, os meus.
            Passado e Presente ficaram observando atentamente as ondas que iam e viam no mar das lembranças, ambos pareciam incomodados com alguma coisa. Era a rejeição que os inquietava e os levava a pensamentos tristes. Enquanto os dois olhavam fixamente para o mar e se perdiam em seus devaneios eis que se aproximou um ancião de dias e disse:
            - Muito prazer Passado e Presente, eu me chamo Senhor do Tempo e assisto a história de vocês, assim como, a de Futuro desde o princípio de todas as coisas, afinal, eu os criei.
            Presente, meio tremulo, falou:
            - Quer dizer que você...
            - Sim, isso mesmo Presente, eu sou o filho da mãe Criação e sei de todos os seus passos, disse o Senhor do Tempo. Quanto a você Passado, não se preocupe, Futuro apesar de ser uma criança é muito esperto e compreendeu bem os meus ensinamentos, nossa conversa parece ter sido muito proveitosa.  
            Passando, chorando desconsoladamente falou com a voz embargada:
            - Então você, quer dizer, o senhor falou com ele mestre.
            - Sim Passado, eu falei. E, assim como vocês não querem ver Futuro abandoná-los espero que não me esqueçam...
            Enquanto Passado e Presente se abraçavam afetuosamente o ancião de dias desaparecera sem ser percebido. Quando os dois amigos olharam a sua volta não viram mais o Senhor do Tempo. Então Passado disse:
            - Estou sentindo uma sensação diferente, porém, agradável. É como se estivesse acabando de acordar de um sonho maravilhoso.
            - Engraçado, estou sentindo a mesma coisa, disse sorrindo Presente.
            Enquanto os dois se olhavam meio embasbacados com a situação Futuro vinham correndo ao longe, através da faixa de areia que é banhada pelo mar, e gritando aos prantos:
            - Pai, vô por favor, me perdoem, o Senhor do Tempo conversou comigo e consegui compreender que não posso chegar a lugar algum se não olhar para os ricos ensinamentos que vocês tem para me dar.
            - Então não foi um sonho, pensou Passado.
            Enquanto se abraçavam fazendo as pazes, uma estrela, em plena luz do dia, brilhando mais intensamente do que o próprio sol ia desaparecendo sobre aquele horizonte coberto de água. 
            As lembranças e análises do passado são a herança para um futuro promissor. Muitas vezes sofremos em demasiado pelo simples fato de jogarmos no mar do esquecimento nossas experiências, assim como, a de nossos antepassados. O terreno do amanhã parece ser incerto demais para planos, entretanto, “viver o porvir” parece à melhor maneira de deixarmos de encarar a realidade.
            Viva intensamente! Não se esqueça de ouvir quem já trilhou caminhos semelhantes aos seus. Respeite e observe as opiniões, contudo, tire suas próprias conclusões e siga o seu coração.

Paulo Pessoa



                                                                                                                       

Mude


"Mude.
Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção os lugares por onde você
passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos. Procure andar descalço
alguns dias.
Tire uma tarde inteira pra passear livremente na
praia, ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma do outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de TV, compre outros
jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia,
o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo
jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida, compre pão em outra
padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas,
troque de carro, compre novos óculos, escrevas outras
poesias.
Jogue fora os velhos relógios,
quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros
teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se que a vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um novo emprego,
uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais
prazeroso,
mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa,
se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas.
Mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o
dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!"

Pedro Bial

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A ÁGUIA QUE QUASE VIROU GALINHA

   Era uma vez uma águia que foi criada num galinheiro. Cresceu pensando que era galinha. Era uma galinha estranha (o que a fazia sofrer). Que tristeza quando se via refletida nos espelhos das poças d'água tão diferente! O bico era grande demais, adunco, imprório para catar milho, como todas as outras faziam. Seus olhos tinham um ar feroz, diferente do olhar amedrontado das galinhas, tão ao sabor do amor do galo.
   Era muito grande em relação às outras, era atlética. Com certeza sofria de alguma doença. E ela queria uma coisa só: ser uma galinha comum, como todas as outras.
   Fazia um esforço enorme para isso. Treinava ciscar com bamboleio próprio. Andava meio agachada, para não se destacar pela altura. Tomava lições de cacarejo.
   O que mais queria: que seu cocô tivesse o mesmo cheiro familiar e acolhedor do cocô das galinhas. O seu era diferente, inconfundível. Todos sabiam onde ela tinha estado e riam.
   Sua luta para ser igual a levava a extremos de dedicação política. Participava de todas as causas. Quando havia greve por rações de milho mais abundantes, ela estava sempre na frente. Fazia discursos inflamados contra as péssimas condições de segurança do galinheiro, pois a tela precisava ser arrumada, estava cheia de buracos (nunca lhe passava pela cabeça aproveitar-se dos furos para fugir, porque o que ela queria não era a liberdade, era ser igual às outras, mesmo dentro do galinheiro).
   Pregava a necessidade de uma revolução no galinheiro. Acabar com o dono que se apossava do trabalho das galinhas. O galinheiro precisava de nova administração galinácea. (Acabar com o galinheiro, derrubar as cercas, isso era coisa impensável, o que desejava era um galinheiro que fosse bom, protegido onde ninguém pudesse entrar - muito embora o reverso fosse "de onde ninguém pudesse sair").
   Aconteceu que, um dia, um alpinista que se dirigia para  o cume das montanhas passou por ali. Alpinistas são pessoas que gostam de ser águias. Não podendo, fazem aquilo que chega mais perto. Sobem a pés e mãos, até as alturas onde elas vivem e voam. E ficam lá, olhando para baixo, imaginando que seria muito bom se fossem águias e pudessem voar.
   O alpinista viu a águia no galinheiro e se assustou.
- O que você, águia, está fazendo no meio das galinhas? Ele perguntou.
Ela pensou que estava sendo caçoada e ficou brava.
- Não me goza, Águia é a vovozinha. Sou galinha de corpo e alma, embora não pareça.
- Galinha coisa nenhuma, replicou o alpinista. Você tem bico de águia, olhar de águia, rabo de água, cocô de águia. É ÁGUIA. Deveria estar voando... E apontou para minúsculos pontos no céu, muito longe, águias que voam perto dos picos das montanhas.
- Deus me livre! tenho vertigem das alturas. Me dá tonteira. O máximo, para mim, é o segundo degrau do poleiro, ela respondeu.
   O alpinista percebeu que a discussão não iria a lugar nenhum. Suspeitou que a águia até gostava de ser galinha. Coisa que acontece frequentemente. Voar é excitante, mas dá calafrios. O galinheiro pode ser chato, mas é tranquilo. A segurança atrai mais que a liberdade.
   Assim, fim de papo. Agarrou a águia e a enfiou dentro de um saco. E continuou sua marcha para o alto da montanha.
   Chegando lá, escolheu o abismo mais fundo, abriu o saco e sacudiu a águia no vazio. Ela caiu, Aterrorizada, debateu-se furiosamente procurando algo a que se agarrar. Mas não havia nada. Só lhe sobravam as asas.
   E foi então que algo novo aconteceu. Do fundo de seu corpo galináceo, uma águia, há muito tempo adormecida e esquecida, acordou, se apossou das asas e, de repente, ela voou.
   "Lá de cima olhou o vale onde vivera. Visto das alturas ele era muito mais bonito. Que pena que há tantos animais que só podem ver os limites do galinheiro!"

                                                                                                                                             Rubem Alves

quinta-feira, 25 de março de 2010

Um bem cultural

O Festival Audiovusial de Campina Grande-Comunicurtas é um mecanismo de fomentação da cultura no estado da Paraíba. O evento realizado pela UEPB, Universidade Estadual da Paraíba, será lançado hoje à noite, (25), às 19:00 h no Sesc-centro. A quinta edição do evento faz homenagem ao diretor de fotografia João Carlos Beltrão.

A noite de abertura contará com a participação de alguns músicos campinenses, são eles: Toninho Borba, Katarina Nepomuceno e Jonathas Falcão, que subiram ao palco apresentando um repertório em homenagem ao Rei do Ritmo, Jackson do Pandeiro.

Essa quinta edição do Comunicurtas se constituirá na mostra de filmes e vídeos convidados, Mostra competitiva Tropeiros da Borborema, Mostra competitiva Estalo, Mostra competitiva "A ideia é...", Mostra competitiva Tropeiros de Telejornalismo e Mostra competitiva Brasil.

Na Mostra Competitiva Estalo, destinada aos vídeos produzidos em qualquer formato com duração de um minuto, além dos prêmios Machado Bittencourt de Melhor Vídeo nas categorias de Júri Popular e Oficial, também serão premiados os vídeos com Melhor Roteiro e Melhor Direção.

Na Mostra "A ideia é...", serão contempladas as peças publicitárias em vídeo com duração de até um minuto e meio. A premiação está dividida nas seguintes categorias: Prêmio Machado Bitencourt de Melhor Roteiro ou Criação, Melhor Fotografia Publicitária e Melhor Direção de Arte. E este ano, haverá premiação para o cliente da Melhor Peça Publicitária, avaliada pelo Júri Popular e Oficial.

A Mostra Competitiva Tropeiros de Telejornalismo, além dos prêmios de Melhor Telereportagem e Melhor Texto, oferece premiação para Melhor Edição e Melhor Repórter Cinematográfico. Será entregue também o Prêmio Luiz Custódio de Folkcom à melhor reportagem com temática na linha da Folkcomunicação, eleita pelo homenageado, Luiz Custódio da Silva, professor do Departamento de Comunicação Social (DECOM) da UEPB.

Como nas edições anteriores, será entregue o Prêmio Rômulo e Romero Azevedo de cinema, aos melhores filmes de cada categoria, eleito pelos homenageados Rômulo e Romero Azevedo, professores do DECOM, e Arte e Mídia da UFCG, respectivamente.

Além do mais, será entregue o Prêmio João Carlos Beltrão de Melhor Plano Cinematográfico, em homenagem ao renomado diretor de fotografia paraibano João Carlos Beltrão.

O Festival acontece de 23 a 27 de Agosto e as inscrições para as mostras competitivas seguem até 05 de Junho de 2010.

Veja as fotos da abertura do Comunicurtas no site: http://www.acheivc.hd1.com.br, as imagens serão postadas logo após o evento.